segunda-feira, 8 de setembro de 2008

Entre cá e lá.


O meu lado lunar + o teu racionalismo inato / a orbitar do lado de cá = simbiose perfeita
deixas-me o coraçãozinho aos pulos...
oxalá a bola de cristal não quebre, sabes que é frágil e com o tempo desgasta e depois o interior, que é valioso pode perder-se por aí, fica desprotegido, perde o oxigénio e gosta pouco de estar livre, aí aos caídos...
Protege o que eu te dou, que o hoje o tempo dói, tapa e guarda num lugar seguro.
Pronto, pronto...chega de avisos. Confiei-te, agora não me deixes mal.
Os anéis de Saturno são fiteiros e olha que por aqui os meteoritos são "o prato do dia", quando conheceres de cor isto tudo podes querer voltar à Terra, mas eu tenho esperança que te habitues a este novo lugar, sim...é uma questão de hábito, mas requer muito de ti e de mim também (apesar de ser profunda conhecedora).
Bora perder mo-nos ? A gravidade ajuda.

De braço dado com a vida




Há pessoas que nos ensinam a olhar para o mundo de forma diferente; outras que nos ensinam a ler, apresentando-nos autores e livros que irão marcar para sempre a nossa existência, e outras ainda com quem aprendemos a viver os nossos sentimentos e crenças em liberdade e sem medo.

domingo, 7 de setembro de 2008

(En)canta(-me)




Canta para mim,
Voz sussurrada
Em tons de rosa e carmim
Presenteia-me com os teus gestos sublimes
E deixa-me ficar assim...
Não te peço pompa,
Muito menos circunstância.
Quero apenas uma balada,
Que omita a distância-
Não puxes pelos acordes,
Não forçes o grito;
Segreda-me antes uma leve melodia
Que ilustre o infinito.
Chega de seriedade e rectidão,
Mostra-me que és feito de garra e coração
Aproxima-se a alvorada e com ela clamores de um novo dia...
Mas, dá-me só mais uma noite de sonhos e poesia
"Encosta a tua cabecinha no meu ombro e chora..."
Fica por hoje, não vás embora.
Patética, esta avidez de possessão
Não fosse o momento, imenso de ilusão.
Retarda a brevidade, prolonga a validade...
Dá me só mais um timbre de pura felicidade.
(tentativa de algo que se assemelhe com poesia, tenta-se...)

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

Ler


De todo o tempo que perdem os portugueses, não há eternidade como o tempo que perdem a não-ler. Durante o Verão, o país enche-se de turistas estrangeiros e quase todos – seja na praia, seja no hotel - andam quase permanentemente com um livro na mão. Esta estranha proclividade deixa o português perplexo: «Estes bifes são todos malucos – pagam um balúrdio para cá virem e depois, em vez de aproveitarem, passam o tempo todo a ler… Até usam o livro aberto para marcar os lugares!»É o facto cultural mais assustador de todos – os portugueses não lêem livros. Em nenhum outro país da Europa é tão raro ver alguém a ler um livro em público. Causa genuína aflição vê-los a não-ler. Na praia, nas salas de espera, nos comboios, enquanto almoçam sozinhos, nos cafés… em toda a parte se vê uma população atarefadamente dedicada à actividade de não-ler. Porque é que não aproveitam estes tempos mortos?Não se sabe. Uma das causas será o facto do português ter horror à solidão. Esteja onde estiver, e por muito entediada que seja a sua condição, o português prefere estar a olhar para os outros – os tais que, por sua vez (em vez de estarem a ler), estão a olhar para ele.O Português tem medo de se mergulhar num livro porque isso significa deixar de “estar à coca”. Não pode estar em lado nenhum sem sentir que está de serviço, a controlar a situação. Olha os que entram, os que saem; os que ficam, os que voam e fazem “Bzzzz…”. Nem é só por bisbilhotice – é por desconfiança. Não pegam num livro porque têm medo de apanhar com uma paulada nas costas enquanto estão distraídos. Para um português, ler é estar desprevenido.Os preconceitos contra a leitura são terríveis. Entre o povo diz-se que faz mal à digestão ler a seguir ao almoço ou ao jantar. A obsessão dos portugueses com a digestão merecia, só por si, uma crónica. Na TV, na campanha do “Há mar e mar”, aconselham um mínimo de três horas! E julga-se que passam essas três ridículas horas a ler?Os contos de Bruxa não acabam aí! Existe também a noção grosseira de que ler «cansa a vista» porque «faz mal puxar muito pela cabeça». O típico brutamontes defende-se destas acusações dizendo que «ando a trabalhar todo o dia e, quando chego a casa, é para descansar, não é para ler». A realidade é triste mas tem de ser revelada: o português prefere cansar-se a trabalhar (e lembremo-nos que tem a capacidade singular de cansar-se muito a trabalhar pouco) ao descanso que seria ele ler (…)

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

Dança de uma vida



Há histórias com imenso significado, que moram nas pessoas como as pessoas moram nos lugares que lhes pertencem, vivem algures na memória de cada um, como tudo o que de bom e mau nos preenche o passado. Gosto essencialmente dessas, das boas histórias, que apesar de ouvir e ter ouvido, vezes sem conta, continuo a admirar. Comparo-as aos bons filmes que guardo na gaveta dos DVD's e vou buscar quando sinto saudade, continuo a saber as falas de cor, choro no momento da tragédia, rio com a personagem cómica e deleito-me com a frase chave, que funciona sempre como moral da história.
Os serões de relaxe têm sempre pano para mangas...então quando a mãe está por perto, a conversa dura horas a fio. Pensei pergunta-lhe como é que ela conheceu o pai (certo é que já estava farta de o saber, mas insisto nos pormenores), logo lhe vejo um sorriso tão expressivo, como se estivesse a falar da nova paixão da adolescência. Começou por falar-me do baile, o tal baile...estava ela no canto do salão, tocava Sinatra (se não lhe falha a memória), diz que o avistou por entre a multidão de jaquetões e vestidos rodados. Primeiro surgiu o rei dos bailes, daqueles que têm um nome característico, o típico engatatão que não falha uma, surpresa das surpresas...ela recusou a dança. Aí o pai perdeu metade da esperança, ele era o próximo a tentar a sorte, mas visto que nem o supra sumo tinha vingado, foi ter com ela meio a medo, pediu-lhe com todo o jeitinho e cortesia o que ela tanto queria que acontecesse. Num ápice tinham caído nos braços um do outro, a mãe diz que se lembra do que ele trazia vestido e diz também que cheirava a limão, um travo que lhe acentava que nem uma luva, lembra-se de pensar que tinha de saber mais sobre ele, que tinha de voltar a estar com ele. Segundo a mãe conta, o pai era desajeitado, mas aquela dança ela não esquece, refere-a como a dança de uma vida.
Do baile, aos encontros no café do costume tornaram-se um habitué...
O pai entra na sala quando estávamos a falar do primeiro beijo, que foi custoso, segundo consta...a mãe era convencional e o pai tímido e mais, os tempos eram outros, o carrossel era vagaroso, mas sabia a tanto de cada volta que dava...
Adorei ver a expressão do pai passados 25 anos, sorriu como uma criança a reviver a velha infância e correu a beijar a mãe, não tardou que me falassem na opinião deles sobre isso tudo,depois, das teimosias da avó em deixar a mãe sair de casa, dos amigos boémios, das voltas no carro de museu e até de quem casou com quem e das festas em casa dos velhos amigos. Senti-me à parte, deixo-os a recordar os bons velhos tempos e encosto a porta da sala com cuidado para que não se apercebam da minha ausência.
Ficam a opinar sobre o destino, ainda ouço a mãe dizer ao pai como o destino é certeiro e o pai remete-lhe um " é verdade amor...é verdade", depois confidencia-lhe como ela estava bonita de vestidinho floral.

Fui ler um bocado, mas parei para reflectir, cair sob a minha felicidade em saber que ainda existem romances como nos filmes e nos livros do nicholas sparks, parece que existem sempre boas recordações e sentimentos que são inabaláveis e só se fortalecem com o passar do tempo.
É verdade que hoje em dia o amor puro é raro, dá-se um "amo-te", como quem dá um elogio forçado. E o simples é tão mais bonito que o exagero, que se obtém com a maior das facilidades...
Tudo o que implica esforços e é conseguido aos poucos tem sempre mais valor.
Recentemente, Domingos Amaral diz que "Já ninguém morre de amor", pode até ser verdade, mas não é essa a minha opinião, continuo a acreditar que algures por aí alguém está a viver um romance que vai durar uma vida, pode ter as suas desavenças, pode ir e voltar, pode até nunca mais voltar e seguir em frente, mas existiu. Essa existência é inapagável. Todos nós morremos de amor, nem que seja uma vez na vida, cometemos as maiores loucuras, extasiamos com facilidade e acordamos e adormecemos com esse alguém no pensamento.
É bonito e recomenda-se.
A mãe é prática, o pai é um romântico desajeitado, mas quando os vejo juntos a recordar uma vida, são um só. Orgulho-me deles, como não poderia deixar de ser.
São felizes ao jeito deles e sei que tomam partido do melhor da vida.
É isso que levo como exemplo e quero para mim, ao meu jeito, quero a dança de uma vida, quero dançar as vezes que forem necessárias, ao som das mais belas canções, sob os mais imponentes cenários e sim, hei-de morrer de amor, aliás morro de amor pela vida, porque esta ao menos é garantida.

Se acredito ou não no destino, não sei.
Acredito naquilo que sou e não me tenho desiludido.

domingo, 24 de agosto de 2008

Não podia deixar de te dizer que és responsável pelos sentimentos positivos e pelos últimos dias, senão mesmo as últimas semanas...dizer que vale sempre a pena.
Independentemente de qualquer receio, de qualquer contrariedade, deixa-me que te diga que me fazes feliz..
Há coisas que não são para se perceberem, esta é uma delas.
A vida é feita de estados, proporcionados por momentos,interpretados por pessoas, pessoas como nós.
Para se ser genial ou, simplesmente bom, é preciso viver momentos inesquecíveis ao lado de pessoas incomparáveis.
Gosto do teu ser, da forma como vês a vida, da maneira como nos vês a nós, das brincadeiras e até dos teus vícios inatos, gosto do simples facto de gostar de ti, sem complexidades.
Há coisas que só nós entendemos, por mais banais que sejam, são nossas e essa banalidade agrada-me, pela simplicidade.

É bom pensar em nós...enquanto a distância limita o resto.

Tomada de consciência



Apercebi-me que ultimamente tens passado por mim como uma flecha, sem dó nem piedade. Gosto da sensação, mas confesso que, por vezes, é mais o susto que a satisfação...é como se tudo, de repente, se tornasse insustentavelmente pesado, não que seja um fardo, mas pesado o suficiente para sentir que me queres de alerta.
Quando ouço os mais velhos sacarem a experiência da algibeira, com toda a perícia fiteira de quem sabe o que diz, mas não diz o que sabe e depois enrolam as palavras que lhes construíram um passado, como notas musicais de um soneto viciado e inaudível...que já nem convence os leigos, penso para mim, que apesar da mudança, da evolução, da grandeza e ambiguidade que os rodeia, continuam a dar-me grandes lições, assim como eu dou a mim própria com o passar do tempo.
Há erros que se cometem vezes sem conta, repetidamente, porque apesar de inúteis e repreensíveis, não são controláveis e o auto-controlo é custoso de gerir...depois, vêm aqueles que só acontecem as vezes que quisermos, se quisermos. E, mais tarde quando recordamos, obrigamo-nos- a fazer ou não fazer, ou a deixar estar,simplesmente- com o passar do tempo obrigamo-nos cada vez mais, até que, quando chegarmos ao final, nos apercebamos do ridículo que foi obrigarmo-nos.
Mas é isso que queres de mim, de nós, que sejamos competentes o suficiente, para impor as próprias regras.
É hilariante...quando achamos que sabemos tudo e no fim de contas não sabemos nada, temos tanto para aprender connosco e com os outros e com tudo, porque tudo tem uma história à espera de ser contada, tal como a nossa.

Na vida ama-se, várias vezes- lugares, pessoas, actos, momentos...-e, depois de se amar aprende-se e volta-se, há sempre um retorno, retorno esse que vai amadurecendo com a idade, que nos pede um tónico constante, que exige de nós mais e mais.

Sem nos apercebermos, vamos deixando para trás os limites impostos e começamos a construí-los pelas próprias mãos.

Se somos independentes? Claro que não, nunca seremos.
Mas, a verdade é que não podemos ser inúteis nem acomodados, devemos sim estar atentos e cautelosos e saber aproveitar ao máximo dos rendimentos.

Temos um negócio a gerir - chama-se vida e tem os seus contratempos.