segunda-feira, 3 de março de 2008

Conta-me uma história...




gosto de histórias insolúveis, que nunca têm argumento, e se desenrolam em sobressaltos, ou deslizam docemente sem rumo. gosto de histórias breves, quando os olhos se cruzam e se enlaçam e se perdem o tempo de um solo de guitarra (portuguesa?). gosto de histórias prolongadas e funestas, bordadas de ameaças ocas e vãs promessas, que interminavelmente se dobram e desdobram num cansaço doce e demorado. gosto de histórias intempestivas e brutais, cruzadas por calmarias e temporais, e que explodem em convulsões de gritos e espantos. gosto de histórias tristes, sem lágrimas, porque nelas o pranto não liberta nem sufoca. gosto de histórias alegres, sem risos, para que não nasçam gargalhadas onde a voz sangra. gosto de histórias do corpo, onde a verdade tem mil cores e as cores dos beijos são sempre luz. gosto das histórias da alma, porque são segredos profundos como fundas são as vozes que não conseguem falar. gosto de histórias que o não são porque o tempo tropeçou e enganou corações demasiado ardentes. gosto de quase histórias, como frases suspensas ou gestos esquecidos que ninguém prendeu ou arrumou. gosto de histórias, porque podem fazer ser o que nunca é. gosto de histórias...

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008





que é feito da menina das saias rodadas?


Perdeu-se por aí.
Ficou onde eu a deixei, com todas as amarras que a impediam de ganhar asas para voar.
Achei melhor assim...
O que é certo cansa e esta liberdade da incerteza satisfaz-me tanto!
Medo para quê? Só é preciso saber agarrar o momento e depois o resto vem por acréscimo...
As pessoas mudam-te, o tempo muda-te, a vida muda-te. E depois, não somos só nós, também o mundo muda, e é tão mais flexível.
Sim, acredita, precisamos de nos adaptar à mudança. Dizes que foi para melhor, pois,eu também acho que sim, mas agora isso já não tem importância. Estás a ver que nem sempre vale a pena premeditar? As coisas não acontecem com tanta previsibilidade.
Crescer faz-nos bem e o que ficou para trás são recordações da ingenuidade de criança, que às vezes me traz saudades, mas no fundo se procurares bem ainda a vês....a menina das saias rodadas, ela há-de sorrir para ti e tu vais reconhecer que esse sorriso é diferente de qualquer outro, mais genuíno até. Tu tens esse dom, de invocar a menina das saias rodadas ( não fosses tu quem és), e depois chamas-me frágil e bonitinha...daquela maneira especial, sem defesas...
Todos somos assim...lá no fundo, é a essência.
É por isso que estás sempre comigo, que te tenho para sempre e sem ti nunca seria quem sou hoje, fazes parte da minha auto-construção, descobriste-me as entranhas, lembras-te as vezes que caí e me voltei a erguer, das cambalhotas mal dadas, das piadinhas sem graça, dos erros mais absurdos, dos grandes desafios, das maiores gargalhadas. E tu nunca me faltas.
Maior cumplicidade do Mundo, minha querida...para ti serei sempre a menina das saias rodadas, com a força de que tanto te orgulhas.

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

O monte da lua (mons lunae)


Foi ontem. Ontem que visitei todos os teus recantos, envoltos em miticismo e esoterismo.
As cascatas, o musgo, a floresta dos contos de fadas, os ribeiros, os cafezinhos, as torres, os sinos do palácio, a sumptusosidade dos montes...e, depois o pôr-do-sol alaranjado que cai sobriamente sob as cores distintas da Pena.
Despertaram-se-me instintos há muitos esquecidos. Quem diria que depois de uma rotina citadina, haveria de apreciar a tua beleza inexorável ? Mais que isso, eu perdi-me de amores por ti.
Vivi ali na pele de D.Amélia, cruzei a cavalo cada sonho, cada mito, cada lenda...
Do Paço a Seteais, passando pela Lawrences descobri a magia do Monte da Lua, as paisagens verdejantes, as quintas preservadas. Parece que afinal ainda possuímos sítios de príncipes e princesas, onde podemos imaginar a nossa própria trama secreta.
A Regaleira, essa sim, foi a estrela da tarde...recheada de espiritualismo e simbolismo. Subi e desci, saltei de pedra em pedra e procurei os vestígios daqueles tempos, a inspiração daqueles homens ao construirem tais maravilhas. Desde o jardim à escadaria do palácio, tudo reflectia os ideais da liberdade, do amor... e a maçonaria tão proíbida tornava ainda mais fascinante o ambiente daquele lugar mágico.

Somos detentores de tanta riqueza que por momentos pareceu-me que a crise é apenas uma miragem. Sintra ficou-me no coração, aquela terra inspiradora de poetas e músicos, e o doce sabor das queijadas e dos travesseiros

E sim, é Património da Humanidade !


«E, nas serras da Lua conhecidas

Subjuga a fria Sintra, o duro braço.

Sintra onde as Náiades escondidas

Nas fontes, vão fugindo ao doce laço:

Onde Amor as enreda brandamente,

Nas águas acendendo fogo ardente».


segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008

Gosto...


Gosto de te ver a rir e a brincar, gosto do teu cheiro e do teu olhar, gosto de te ter sempre perto e sentir que tudo está certo, de saber que afinal vale a pena acreditar que um dia a paz acaba sempre por chegar, que não há esperas vãs nem dias perdidos, que todas as noites são de lua cheia e todas as manhãs estão cheias de ti, meu amor, quero-te, quero-te, quero-te. Por isso abre as mãos e o peito, deixa-me ficar para sempre lá dentro, guarda-me em ti e espera sem esperar a cada dia que passar, que este meu amor imenso, doce e intemporal resista ao tempo, resista ao medo, resista ao mundo, resista a tudo e não precise de mais nada a não ser de Ti, tu que és o princípio e fim, que estás no meio de tudo, que atravessas a vida de mão dada comigo, tu de quem eu gosto, gosto.

quarta-feira, 16 de janeiro de 2008

já podes ir ?

Adeusinho .
Estás aqui, mais uma vez atormentas cada célula do meu cérebro, cada pedaço da minha consciência e da minha maneira de ser. Sim, tu impões, és o rei e eu obedeço, fazes de mim gato sapato e eu digo com prontidão que SIM a cada pedido, mesmo que absurdo.
Hoje telefonas, amanhã não sei, e enquanto isso lá fico eu a contar cada minuto e cada segundo que os ponteiros marcam. Para ti tudo é normal e nada te espanta, o que te importa é a tua própria satisfação pessoal, é ter tudo e nada ao mesmo tempo, é poderes ser omnipotente e omnipresente. Chega de farsas e traições. O meu ser não suporta tanta instabilidade, por isso avisa-me da próxima, deixa-me fazer-te as malas com tudo o que sempre te pertenceu e não deixes nem um rastilho, nem uma memória do que fomos.
Deixa-me ser eu a dar as ordens desta vez em que apenas exijo a tua distância e te peço para procurares essa insaciável auto-satisfação nos braços alheios de quem te consiga aturar as birras e casmurrices, se alguém ainda o fizer. A vida são dois dias meu caro, logo não me peças para os desperdiçar e desliga a minha imagem da tua memória, prefiro não permanecer. Quero viver à séria, caminhar na corda bamba as vezes que forem precisas e depois rir por último na tua cara e poder dizer-te com toda a maior satisfação que me conheço, sem o desejo de te conhecer a ti por me reconhecer superior em demasia. E agora quem não vale nada é quem não corre atrás da felicidade, quem não sabe lutar por si mesmo e espera sempre que lhe venham dar guarida. Esquece lá isso!

sexta-feira, 11 de janeiro de 2008



Gosto de acreditar que tenho o dom de tornar realidade as minhas ficções. E, neste momento, tu és a minha mais bela ficção, um sonho que acalento como uma criança que cresce, sabendo que a espera será grande, será arriscada e ninguém sabe se será frutífera. O objectivo não é o mais importante, mas sim o caminho que se percorre para o alcançar. Somos nós, com os nossos passos, que vamos fazendo o nosso próprio caminho. Há quem corra demasiado depressa e perca a alma no trajecto, há quem mude de ideias e arrisque um atalho, há quem não saiba escolher a melhor direcção quando chega a uma encruzilhada, há quem deixe pedras pelo caminho para não se perder, se precisar de voltar para trás.

quinta-feira, 3 de janeiro de 2008

" mais um ano "





É verdade, mais uma vez se perde a noção de tempo e por breves instantes como por toque de magia e numa contagem decrescente de 10 segundos tomamos decisões concretas no que mais de importante nos define e nos pertence.


E de repente já é 2008...tempo de ser mais e melhor, de tentar mudar o que está mal e principalmente de evoluir, porque estagnar não se inclui no vocabulário de quem quer realmente ser alguém. Traçam-se objectivos importantes, procuram-se metas... até que gosto disto, é perfeitamente saudável a energia que me absorve nestes momentos...quero ser tudo e esse simples desejo já me faz crescer.


Bem, atendendo ao facto de amanhã haver aulas está na minha hora de voar para o vale dos lençóis e deixar tudo em suspenso... a música vai continuar a dançar na minha cabeça e a chuva no tejadilho vai bater com a mesma intensidade com que os meus pensamentos fluem em redor de mais um ano de mudança, de realizações pessoais, pessoas que vão e vêm, momentos inesquecíveis que vou querer que não acabem e fiquem para sempre e outros com certeza menos agradáveis que me hão de pôr à prova no palco gigante que é a vida...que todos os dias nos mostra um novo cenário com novas personagens e enredos.




Até amanhã.